Grupo guerrilheiro de esquerda sequestra embaixador americano



4 de setembro de 1969. O embaixador dos Estados Unidos, Charles Elbrick, passava com seu Cadillac por uma rua de Botafogo, no Rio de Janeiro. O carro de Elbrick é fechado, então, por um Fusca vermelho. Armados, os ocupantes do Fusca tomam o carro de Elbrick. Tiram o embaixador e o levam vendado. Na ação mais espetacular protagonizada pelos grupos de esquerda que optaram pela luta armada na ditadura militar, o embaixador da maior potência do mundo caía nas mãos de 12 sequestradores. Elbrick foi trocado por 15 presos políticos, que aterrissaram no México na manhã do dia 7 de setembro, um domingo.
Algumas importantes figuras da nossa atual República estiveram diretamente envolvidas com esse sequestro. O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, foi um dos idealizadores da ação. Com ele, estava o hoje deputado Fernando Gabeira, do PV, principal artífice agora da candidatura de Marina Silva à Presidência da República. Entre os 15 presos que foram trocados pelo embaixador, estava o agora ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Foi uma ação bem planejada. Os sequestradores sabiam que Elbrick passava todos os dias pela rua em que foi abordado, saindo de sua casa rumo à embaixada americana. Por isso, desde a manhã, eles estovam de tocaia em quatro carros estacionados ao longo da rua. Mas algo dá errado. Ao contrário do que era sua rotina, Elbrick não passa pela rua de manhã. A operação quase dá errado. O comandante da Marinha, Souto Maior, morava na rua. Sua mulher, Ela Souto Maior, percebe um movimento estranho de carros e liga para a polícia. E um jipe da polícia efetivamente vai até o local, mas, para alívio dos sequestradores, sai sem pedir documentos a ninguém. Sorte, porque dentro dos carros havia bombas caseiras, metralhadoras e granadas. A manhã termina, e nada do embaixador. O Cadillac só aparece na rua às 14h30. Elbrick ficou preso em um sobrado no bairro de Santa Teresa. A operação foi inicialmente um sucesso. Resultado na libertação de 15 presos políticos. Mas fez, em seguida, aumentar a repressão e a violência contra os grupos de esquerda. O Brasil aplicou as penas de banimento e de morte contra guerrilheiros. O banimento foi efetivamente usado contra vários brasileiros. A pena de morte não foi oficialmente usada, embora hoje se saiba que o Exército brasileiro matou guerrilheiros no Araguaia e chegou a executar presos políticos nas prisões, como o jornalista Vladimir Herzog. Até hoje, apesar dos postos que ocupam, Franklin Martins e Fernando Gabeira, assim como os demais sequestradores, são proibidos de viajar para os Estados Unidos. A história do sequestro foi retratada no filme "O que é isso, Companheiro?", de Bruno Barreto, baseada no livro homônimo de Fernando Gabeira.










O embaixador Charles Elbrick












Os presos trocados pelo embaixador. O segundo, de pé, à esquerda, é José Dirceu

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